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“QUANDO FALO DA MINHA CHEGADA A PORTUGAL É MUITO DIFÍCIL FOCAR EM MIM PORQUE TIVE A OPORTUNIDADE DE ENTRAR NO GRUPO DE TEATRO E HAVIA JÁ PESSOAS PORTUGUESAS (...) ENTÃO ACABEI POR ENTRAR SORRATEIRAMENTE DENTRO DA SOCIEDADE SEM SENTIR.”

Diaby

Sou da Costa do Marfim e cheguei a Portugal em 2007. Quando cheguei ao CPR entrei no grupo de teatro (RefugiActo) e conheci refugiados que já cá estavam, e alguns portugueses, que me ajudaram com as coisas importantes da integração, como: a inscrição na segurança social ou a criação de uma conta bancária, mas também como funciona a cidade, onde se faz a festa, etc. Isto dá coragem, porque mostra que se eles podem viver aqui, eu também posso.

 

Mas há outra parte que pertence a ti próprio, que é a vontade de estar aqui. As pessoas não têm os mesmos objetivos nem as mesmas prioridades. Há pessoas que querem ter asilo num outro sítio, instalar-se e viver lá (...) ou tentam viajar para outro país. Mas isto não era o que eu queria fazer.

 

Para mim é fácil quebrar o gelo, venho de um país com mais de 60 etnias, falo inglês e espanhol e é fácil ter uma conversa. Mas para quem não tem nenhuma relação aqui é muito aborrecido e estas pessoas ficam muito dependentes do CPR (ou instituição de acolhimento), porque não há ninguém que lhes dê vontade de viver. Não têm um ou dois amigos para ir ver um jogo de futebol ou algo para ocupar o seu dia.

“NÃO BASTA RECEBER, É PRECISO SENSIBILIZAR PARA A DIFERENÇA. É MAIS FÁCIL A SOCIEDADE ACEITAR QUANDO CONHECE A CULTURA DAS PESSOAS.”

Nos jantares da Comparte, muitos refugiados conseguem empregos e casas graças aos portugueses, que trocam contactos, sem pedirmos nada. Fazemos convívios e jantares e falamos de um tema e depois as relações formam-se.

 

Na integração, é importante esclarecer aos refugiados porque é que é importante trabalhar. Os apoios, não vais receber a vida toda. É preciso haver estruturas para a autonomia e independência dos refugiados.   

O acolhimento em Portugal, para mim, é incompleto. Falta formação e sensibilização para a sociedade, as organizações de acolhimento e para os refugiados e falta também o que vocês estão a criar (iniciativas de patrocínio comunitário).

O patrocínio comunitário é uma solução importante. Mas tem dois lados: a comunidade tem de ser muito bem sensibilizada e pode haver choques culturais, porque há pessoas que não conseguem estar num país diferente sem a sua comunidade. As pessoas têm de ser bem selecionadas de ambas as partes.

 

Gostava de ter sido acolhido através de patrocínio comunitário, mas se fosse hoje não queria sair de Lisboa!