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O cenário agrava-se para os afegãos um ano depois da tomada dos talibãs

Em Cabul, após um ano dos talibãs terem tomado o poder, a instabilidade e as perseguições intensificam-se, a economia colapsa e a insegurança alimentar aumenta, desencadeando uma das maiores crises humanitárias, que se agrava com o impacto da guerra na Ucrânia e da inflação. São tempos difíceis para os afegãos e afegãs que ficaram no país, especialmente para as mulheres e meninas, mas também para muitos dos que conseguiram fugir.

Mais de 120 mil pessoas foram evacuadas do país e distribuidas por todo o mundo, no rescaldo da tomada de Cabul, mas com mais de 40 anos de conflitos e guerra, o Afeganistão tem permanecido um foco de crises que têm provocado inúmeras deslocações forçadas. Os vizinhos Irão e Paquistão têm acolhido afegãos há mais de 30 anos, contando atualmente com 90% dos refugiados afegãos: cerca de 3.5 milhões e 3.1. milhões, respetivamente. No entanto, o crescente aumento desta população vulnerável, aumenta a pressão sobre as estruturas e os serviços, levando alguns governos a violarem os seus direitos humanos e de asilo. Restrições de entrada, deportações forçadas ou expulsões na fronteira, são alguns exemplos desta conduta.

Os E.U.A receberam cerca de 76 mil afegãos que apoiavam as suas forças militares, mas cerca de 80 mil ficaram para trás. Muitos candidataram-se a um programa especial de vistos, mas a morosidade do processo permitiu que apenas 3% tenham conseguido acesso. Além disso, sendo que já não está ativo o consulado norte-americano em Cabul, muitas pessoas são forçadas a fugir do país para se poderem candidatar, enfrentando viagens extremamente perigosas que levam à perda de muitas vidas.

Dentro da União Europeia, muitas organizações da sociedade civil alertaram para a necessidade de uma acção urgente, levando 15 países a comprometerem-se a reinstalar 40 mil afegãos e mais outros 20 mil refugiados em risco. Até abril, pouco mais de 4 mil refugiados tinham sido reinstalados em 2022. Muitos pedidos de proteção internacional continuam a ser rejeitados pelos países europeus, colocando a taxa de aceitação em 53%. Os afegãos cujo pedido é recusado não podem ser deportados devido à suspensão dos acordos de repatriamento com o governo talibã, levando muitas pessoas a viverem em graves condições de risco. Acresce ainda a discriminação e o racismo sofrido que constituem grandes travões à inclusão dos refugiados, pois prejudicam o bem-estar social e psicológico.

Alguns programas de patrocínio comunitário foram adaptados para conseguirem acolher um maior número de pessoas em risco. Cidadãos comuns do Canadá, dos E.U.A. ou do Reino Unido uniram-se para acolher e apoiar a integração de famílias afegãs, tentando, assim, colmatar a grave situação de afegãos em risco.

Até ao momento, 646 afegãos foram acolhidos em Portugal, permanecendo maioritariamente em Lisboa, Braga e Guimarães. O CPR acolhe e apoia atualmente um grupo de cerca de 50 pessoas. Pode conhecer um pouco mais sobre as suas histórias, lendo as crónicas de Samim ou visitando a exposição Nós e os Outros: uma porta aberta para a cultura! até dia 24 de setembro.



Crianças afegãs encontram momentos de alegria num lago perto do campo de refugiados no Paquistão. UNHCR/ Sebastian Rich



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